Filme: Entre Nós

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O filme brasileiro “Entre Nós” é um drama profundo, envolvente, belo e nostálgico. 
É inevitável, durante a projeção, não lembrar de bons momentos que você viveu entre amigos. 
Hoje, cada um seguiu um caminho diferente, mas guardo na memória cada momento, com um enorme sorriso. 
Não deixem de apreciar no cinema.

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243-Sábado de sol

Degustava um capuchino com pão na chapa na padaria da esquina, em pleno sábado de manhã. Observava o sol, que surgia tímido entre as árvores e os prédios. Entre goles e mordidas, escutava a conversa das pessoas ao redor, imaginando suas histórias, observando suas características, personalidades e construindo personagens na minha mente.
Eis que chega um casal, 35, talvez 40 anos e sentam na mesa aolado. Ambos estão de acordo com o verão paulistano, bem a vontade para um dia quente.
-Bom dia. – perguntou o garçom, sorridente – Já sabem o que vão pedir?
-Bom dia. Qual a cerveja mais gelada que vocês tem?

Naquele exato momento parei, olhei bem para o fundo da xícara – que antes ali passará um maravilhoso líquido em tons terrosos – pensei e refletir no mais puro silêncio: Será que envelheci rápido demais?
Agora estou na fila do caixa, atrás de um senhor de cabelos branco e escuto o casal da mesa ao lado pedir mais uma rodada.
Enchi o peito e falei bem alto para meu eu interior: “Também temos que aproveitar o sábado ensolarado… vamos lavar roupa!”

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242- O terno cinza

CAPITULO 06

Ela se espantou com as cantorias e risadas no meio da rua. A turma voltava da festa no meio da madrugada, bem alterados por conta da bebida. Ficou deitada na piscina durante tanto tempo que não percebeu o tempo passar. Levantou, correu até o quarto e fingiu que estava dormindo. Não queria encontrar ninguém.

***

Era cedo e ninguém tinha acordado ainda. Deize dormia e nem percebeu a personagem que não tinha nome se levantar. Ela tomou banho, arrumou suas coisas, decidida que iria embora. Só não sabia como.

Pegou sua mala, saiu com a maior cautela do quarto. Ao abrir a porta do quarto, viu um jornal no chão. Pegou, fechou a porta com cuidado e foi até o restaurante da pousada, para tomar seu café da manhã. Enquanto comia, leu o jornal, que estava incompleto com apenas a matéria principal do dia: “Boni e Clyde da política brasileira”.

Imaginou que era uma brincadeira de alguma das meninas, mas decidiu ler a matéria, para entender melhor os acontecimentos. Ao abrir o jornal uma foto caiu sobre a mesa. Estava meio desfocada, em preto e branco, do exato momento que os pais dela eram presos, em frente ao prédio em que moravam e percebeu que tinha algo escrito no verso: “Inocentes”.

No exato momento em que ela terminou de ler a matéria, recebeu uma mensagem de texto no celular:

“Olhe pela janela.”

Ficou parada sem entender aquela mensagem de um número oculto. Olhou em direção ao quarto e viu um homem de terno cinza batendo na porta. Ele usava óculo escuro e carregava uma maleta preta. Deize atendeu a porta cambaleando de sono ao mesmo tempo em que outra mensagem chegou:

“Vá para o banheiro e se esconda”.

Olhou novamente para a janela, no mesmo instante que Daize apontava na direção do restaurante. Ela se abaixou entre as mesas, pegou sua mala e correu meio agachada em direção ao banheiro.

Ficou escondida dentro do banheiro, mas deixou a porta entreaberta para não levantar suspeitas.
-Ela deve estar na praia agora. – Ouviu de longe o homem de terno cinza conversar com alguém no restaurante. Logo em seguida o homem se retirou da pousada.

 “Não fuja agora. Ele está a sua procura.”

 Depois de um tempo saiu do banheiro.

-Ahh você está ai garota. – comentou o funcionário. – Um homem de terno estava a sua procura.

-Ele falou o que queria?

-Ele apenas perguntou se tinha te visto e mostrou uma foto sua.

-Foto minha? – indagou

-Isso. Disse que você estava tomando café,  mas não vi o momento que saiu.

-Ahhh sim. É meu tio – mentiu. – Depois eu falo com ele.

-Tudo bem então. Quer deixar algum recado caso ele volte?

-Não precisa. Obrigado.

 Voltou para o quarto correndo, jogou a mala no canto e entrou no banheiro.

-Ei?! – exclamou Deize. – Você está bem?

-Estou sim. – gritou.

-Veio um homem atrás de você.

-Já falei com ele. Apenas um jornalista curioso. Ele já foi embora.

 Depois de um longo silêncio, o celular vibra em cima da bancada. Era outra mensagem.

“Você terá todas as resposta para suas perguntas. Esteja pronta às 17:00 na praia, perto das pedras. Venha sozinha.

Ass. S.G.”.

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241- O pior dia da sua vida

CAPITULO 05
Nossa personagem sem nome foi humilhada naquele feriado. Foram gargalhadas, insultos, naquele restaurante na beira da praia.
Era o primeiro dia do feriado prolongado. Na hora do almoço, o grupo se dividiu entre aqueles que queriam pegar sol e comeriam qualquer coisa na rua; e as menininhas que queriam fazer check-in no Badaue, o restaurante mais badalado da praia.
Ela não queria ir, mas depois de muita insistência de Daize, acabou sedendo. A amiga acreditava que era preciso socializar com as meninas populares. Só assim os garotos notariam elas.
Sentaram, fizeram seus pedidos e aguardaram. A personagem sem nome estava no canto da longa mesa de madeira. Tímida, bebia suco de laranja, enquanto soltava risos forçados para parecer legal. Ela odiava fazer isso.
Deize estava a vontade. Tirava fotos com as meninas, contava histórias e ria de tudo, mesmo das piadas sem graça.
A comida chegou e no meio da refeição, uma das garotas chamou atenção de todos.
-Aqueles não são seus pais? – apontou para a tv.
Para espanto da personagem sem nome, era verdade.
Uma triste verdade.
***
Os pais dela foram presos, acusados de desvio de verba pública. O jornal explicava com detalhes todo o esquema fraudulento, indicando todos os envolvidos.
-Parou de comer, “ladrazinha”? – comentou uma das garotas.
-Não vai levar os talheres pra casa. – zombou outra.
Ela ficou paralisada. Não conseguia escutar as notícias, nem mesmo as piadas da mesa. Levantou-se e saiu em direção a praia. Correu o máximo que podia pela areia até o final da praia, escalou as pedras e subiu o mais alto que podia. Observou do alto as ondas, que batiam fortes, com violência nas pedras, e ecoavam um barulho ensurdecedor, seguindo de um silêncio profundo. Decidiu sentar ali mesmo e chorou.
Passou o resto da tarde lá no alto e não viu o belo por do sol, aplaudido de pé pelos frequentadores da praia.
***
Já era tarde quando percebeu que a praia estava deserta. Só de pensar na volta pra pousada dava calafrios. Só queria voltar pra casa naquele momento, mas não sabia como.
A fome bateu e resolveu andar pela pequena cidade, em busca de algo para comer. As opções eram limitadas e teve que se contentar com um hamburguer oleoso com pão velho, feito por um senhor suado, com avental sujo.
Enquanto comia aquela refeição “maravilhosa”, observou a turma da escola passar do outro lado da praça. Estavam arrumados e provavelmente iam em direção a uma festa na quadra da frente. A última coisa que ela pensava era em balada naquele momento. Só queria deitar e dormir, até a hora da volta pra casa.
Caminhou até a pousada, que estava vazia. Aproveitou para tomar um banho bem demorado. Pegou o celular que ficou no quarto carregando e viu várias ligações perdidas e mensagens não lidas. Respirou fundo e começou a ler todas, sentada na beira da piscina.
Tentou em vão retorna a ligação dos tios. Mandou mensagem, mas não teve retorno algum. Começou a ficar preocupada. Não conseguia entender porque ninguém respondia suas mensagens.
Ela não sabia o que iria ser da sua vida daqui pra frente.
Enquanto pensava deitada, olhando as estrelas, o celular tocou.
-Alô?
-Filha?
-Pai! O que está acontecendo? – atendeu, eufórica – Vi vocês na televisão!
-Você está bem?
-Tá tudo bem pai. – Mentiu, para tranquilizá-lo
-Onde você está?
-Estou na praia com a turma da escola.
-Filha. Escute bem o que vou te falar. – respirou fundo – Não confie em ninguém – Você não pode…
-Alô? Alô?! Pai? Você está me ouvindo?
A ligação caiu.
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240- O bilhete

CAPITULO 04

Aquela decisão foi estranha para todo mundo. A personagem que não tem nome ficou espantada, imaginando uma possível zoação. As patricinhas comentavam espantadas ao presenciarem tal cena. O time de basquete já fazia apostas uns com os outros, esperando mais uma brincadeira. Só o rapaz da poltrona 12 que estava tranquilo.
Ele já tinha passado por tudo aquilo.

***

-Eu te entendo completamente. – cochichou no ouvido dela – Acho que posso te ajudar.
-Ajudar?! A passar mais vergonha nessa viagem? Já não basta tudo o que aconteceu e você ainda quer brincar comigo na volta pra casa?!
Ele não respondeu nada.
Passou o restante da viagem em silêncio e quando chegaram no terminal de ônibus ele se levantou da poltrona, olhou bem no fundo dos olhos dela e entregou um bilhete dobrado.
Foi embora.

***

Toda a turma estava se despedindo uns dos outros no desembarque. Mesmo cansados, tiravam fotos e organizavam suas caronas para casa.
Menos nossa personagem, que saiu o mais rápido possível daquele lugar, sem dar uma palavra com ninguém.
Ela voltou de metrô sozinha, ninguém quis oferecer carona. Ela não fez nenhuma questão de querer saber o que aquele rapaz queria. Na verdade ficou se perguntando porque ele, um cara tão popular no colégio, que nunca sequer conversou com ela, sentou ao seu lado durante a viagem de volta. Não fazia sentido. Por mais que ela tentasse entender o motivo, mais raiva sentia daquelas brincadeiras de mal gosto e de toda a vergonha que passou.
Aquela foi a pior viagem de sua vida.
Pensando bem, aquele foi o pior dia de sua vida.
De frente pra plataforma de embarque, olhou para o bilhete dobrado, amassou e jogou na lixeira mais próxima. Lembrou das últimas palavras do seu pai naquela noite, na beira da piscina da pousada.

(continua…)

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239- O Feriado – 15 de Novembro

Capitulo 03 

Todo ano é a mesma coisa. Enquanto a maioria das pessoas fazem planos para viajar no feriado, nossa personagem sem nome fica triste. Por mais que tente esquecer, ela sempre lembra daquele dia que sua vida virou de ponta cabeça.

Era difícil viver daquele jeito. Não conseguia fazer nada durante o dia. Ficava deitada no chão chorando, lembrando daquele maldito feriado, de toda aquela gente, seus “amigos” rindo de sua cara, com piadinhas ofensivas, que até hoje imagina escutar.
Apenas uma pessoa não riu dela naquele dia.
O rapaz da poltrona 12.
                                                                       ***
Foram meses de preparação para passar o feriado no litoral norte de São Paulo. A turma da escola fechou um ônibus para 40 pessoas e reservou uma pousada em Maresias, exclusiva para os estudantes.
Levaram 5 horas para chegar no litoral. Tempo relativamente bom comparado ao caos que é o trânsito de São Paulo, principalmente no feriado.
O tempo até que passou rápido na ida. É só juntar adolescentes dentro de um ônibus e muita bebida que tudo vira festa.
Já não posso dizer o mesmo da volta.
Foram horas de tortura e solidão.
                                                                           ***
Foram 4 dias sem saber o que fazer. Não tinha como voltar, só conseguia ficar calada e aturar tudo no mais longo silêncio. Não conseguiu aproveitar a praia e nem as festas. Ninguém conversava com ela.
Ela estava sozinha.
Ninguém quis sentar ao seu lado na volta. Nem mesmo Deize – aquela que considerava ser sua amiga – que preferiu sentar lá na frente, junto com as patricinhas, que insistiam em apontar para nossa personagem que não tem nome, enquanto gargalhavam.
Já estava de saco cheio daquilo. Treinava em sua mente o que iria dizer bem alto para todo mundo. Pensou até em procurar algum objeto para jogar na cabeça de alguém.
Respirou fundo e se levantou, exatamente no mesmo momento que alguém sentou ao seu lado.
Ela ficou paralisada. Sem entender o que estava acontecendo. Imaginou que era alguma brincadeira de mal gosto, mas era apenas o rapaz da poltrona 12. Ele sentou e não falou nada. Foi estranho no começo, mas só o fato daquela presença durante toda a viagem, fez ela se sentir melhor.
Ela respirou, se acomodou na poltrona e não disse nada.
Se sentiu segura.
Com aquela presença silenciosa.
(continua)

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238- Explosão

(leia a parte 01)

Capítulo 02

Não foi apenas o presente que deixou-a mal humorada naquele dia. Uma série de acontecimentos que, depois de acumulados, levaram até aquele momento de explosão.

Esse é um problema comum entre alguns jovens, que preferem juntas pequenos problemas, guardar rancor, semear o ódio, até o momento que tudo aquilo vira uma enorme bolha de pensamentos negativos, prestes a explodir.
Feliz aquele que tem o dom de neutralizar toda essa energia negativa e elimina-la por completo. Não é o caso da nossa personagem que não tem nome.

Sim. Ela explodiu.

Tudo bem, não foi uma daquelas cenas típicas das novelas mexicanas, cheia de barracos, muito choro em câmera lenta e com aquela típica trilha sonora dor de cotovelo. Comparado a isso foi algo bem leve. Bem diferente daquele 15 de novembro.

Aquilo sim: uma típica cena mexicana. Foi nesse dia que ela mudou seu nome para Vanessa.

(Continua…)

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